Sinopse
Mário e o Mágico, de Thomas Mann, é uma novela ambientada em uma estância balneária da Itália, onde uma família alemã passa férias. O narrador observa desde o início um clima de desconforto e tensão no lugar, marcado por pequenas hostilidades, regras arbitrárias e um sentimento difuso de opressão. Esse ambiente prepara o terreno para o episódio central da narrativa: o espetáculo do ilusionista Cipolla, um homem fisicamente deformado, mas dotado de uma presença autoritária e de um poder hipnótico sobre o público.
Durante a apresentação, Cipolla demonstra sua habilidade de dominar as pessoas pela palavra e pela sugestão, expondo voluntários ao ridículo e forçando-os a agir contra a própria vontade. O espetáculo, que deveria ser mero entretenimento, transforma-se em uma exibição inquietante de poder psicológico e humilhação pública. A plateia, ao mesmo tempo fascinada e constrangida, submete-se passivamente, revelando o quanto é fácil manipular indivíduos e massas quando se combina carisma, intimidação e retórica habilidosa.
O ponto culminante ocorre quando o jovem Mário, um rapaz simples e tímido, é chamado ao palco e colocado sob o controle do mágico. Cipolla o obriga a agir de maneira contrária aos seus sentimentos mais íntimos, explorando sua vulnerabilidade e expondo-o diante de todos. Quando o rapaz desperta do transe e percebe o que foi feito, reage de forma extrema, rompendo brutalmente o domínio do ilusionista e encerrando o espetáculo de modo trágico e chocante.
Publicada em 1930, a novela é geralmente lida como uma alegoria política do avanço do autoritarismo na Europa, especialmente do fascismo. Thomas Mann (1875–1955) utiliza a figura de Cipolla para representar o poder de líderes carismáticos que submetem as massas pela manipulação psicológica, enquanto Mário encarna o indivíduo comum levado ao limite. A obra é curta, mas incisiva, e transforma uma situação aparentemente banal em uma reflexão profunda sobre poder, liberdade e responsabilidade coletiva.